20 Sep 2017
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Recuperação do Comboio do Monte Print E-mail

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A ideia do Caminho de Ferro do Monte voltar a funcionar é viável. A opinião foi dada, pelo responsável do Fórum UNESCO do Instituto Piaget, no encerramento do Campo Internacional de trabalho ?Projecto de Inventariação e Classificação do Património? ? Caminho de Ferro e Estação do Pombal, que teve lugar no Salão Nobre da Câmara Municipal do Funchal a 14 de Setembro.

Findos os 10 dias de inventariação, análise e caracterização do Caminho de Ferro do Monte e a Estação do Pombal e toda a sua envolvente, feito por estudantes universitários de várias nacionalidades.

Não foram apresentadas quaisquer conclusões ou propostas. Trata-se de uma matéria que deverá ser novamente abordada mas só no próximo ano, onde poderão surgir algumas propostas de recuperação, revitalização e integração urbana.

Refira-se que esta iniciativa contou com o apoio da Câmara Municipal do Funchal e da Secretaria Regional do Turismo e Cultura e coordenação do Fórum UNESCO do Instituto Piaget, em parceria com a Universidade da Madeira.

Fisionomia Actual
estrada_280_300 A rua do Comboio ou o caminho de ferro como ainda hoje é conhecida na memória colectiva funchalense, é uma longa via de comunicação que partindo da zona do Pombal sobe praticamente em linha recta até ao Monte, cruzando-se com vários eixos rodoviários: o cruzamento com a Rua Dr. Ângelo Augusto da Silva, à esquerda e com a Rua Nova Pedro José de Ornelas, à direita de quem sobe, o cruzamento com a Levada de Santa Luzia, o cruzamento do Livramento e o cruzamento do Flamengo. Destes só o primeiro cruzamento, de construção recente, não corresponde às antigas vias de comunicação pedestre que a linha, hoje inexistentes: na Levada, no Livramento e na zona do Flamengo.

Também as casas do tempo do comboio são escassas, sobretudo do cruzamento do Flamengo para baixo onde a pressão da malha urbana de uma cidade em expansão ao longo da montanha, determinou o aparecimento de novas zonas residenciais e de novas vias para servir a partir do antigo caminho de ferro. São os casos da Travessa da Consolação, acima do cruzamento da Levada, à esquerda, e a Rua João Carlos Gomes, à direita, a seguir ao viaduto da cota 200 que passando por cima do caminho de ferro, alterou para sempre a fisionomia daquela zona, a Rua da Paz e a Rua do Salvador.
 

Vestígios do Tempo do Comboio
comboio_antigo_280_300 As três estações correspondentes ao princípio, meio e fim da linha mantêm-se ainda constituindo três etapas fundamentais do percurso do caminho de ferro: a estação do Pombal, a estação do Monte e a Quinta Terreiro da Luta, términus do percurso ferroviário. A área envolvente de cada uma tem características bem distintas. Mas passemos aos vestígios existentes ao longo da linha.

Do tempo do comboio são claramente o fontanário existente na Rua do Pombal datado de 1895 (que não se pode dissociar do facto de nessa rua pararem os característicos carros de bois e o ?americano?, ambos movidos por tracção animal), bem como as duas existentes de cada lado à entrada da rua dos arrependidos. Subindo a via são sobretudo do lado direito que se mantêm algumas casas sobracenceiras à linha, que pelas características arquitectónicas datam do tempo do comboio: uma abaixo do cruzamento com a Rua Nova Pedro José de Ornelas, outra no cruzamento com a Levada de Santa Lúzia onde funcionou o bar ?Pisca Pisca?, e no tempo do comboio funcionava uma mercearia, outra acima da Rua João Carlos Gomes, abaixo do nível da estrada, bem como a propriedade construída na esquina do cruzamento do Livramento cuja parede exterior corresponde ao paredão que delimitava à esquerda a via ferroviária, e mais acima ainda, onde a estrada se alarga ligeiramente, uma pequena casa térrea onde outrora funcionou uma padaria. Era nesta zona que ficava um dos dois desvios que permitiam o trânsito simultâneo de locomotivas. O outro situava-se logo acima da Estação do Monte.

Quando às estruturas de engenharia feitas em função do caminho de ferro, ainda existem todas. Falamos de pontes de viadutos, existe ainda a pequena ponte sobre o ribeiro, por onde passava o comboio, imediatamente abaixo da primeira ligeira curva à direita de quem sobe, hoje dificilmente perceptível, existe a bela ponte sobre os jardins com os seus característicos cinco vãos, existem ainda os viadutos originais por cima da via férrea, um no Livramento e outro acima da estação do Monte, a chamada ponte das Tílias mais acima ainda numa zona hoje coberta de vegetação, existe ainda uma pequena ponte que ligava as duas propriedades do comendador Manuel Gonçalves, antigo director da Companhia.

A densificação da malha urbana desordenada determinou ao longo da antiga linha intervenções dissonantes e mesmo desordenadas sobretudo na parte baixa da linha. Salienta-se que intervenções camarárias recentes, sobretudo entre a Levada de Santa Lúzia e o Pombal, zona especialmente crítica no que respeita o trânsito rodoviário, visam adaptar a via a esse intenso tráfico, prevendo-se essa intervenção ao longo de todo esse primeiro troço.

Fruibilidade
postal_280_300 As características desta via pensada em exclusivo para ligar a faixa funchalense à zona de veraneio do Monte e mais abaixo à zona terapêutica da Quinta de Santana e do Hospital dos Marmeleiros, através de um meio de locomoção mecânico, o chamado comboio do Monte ou elevador do Monte, determinou as características únicas desta via que destoa ostensivamente com as outras vias rodoviárias que sobem as montanhas atrás do Funchal ziguezagueando-as.

Tal fisionomia rectilínea dificulta a subida de automóveis e submeteu desde o momento em que a via foi adaptada para o trânsito automóvel, nos anos 70, primeiro através da característica pavimentação em paralelepípedos e depois nos anos 80 com o asfalto, a um grande esforço mecânico, nomeadamente com piso escorregadio. Esta via cria dificuldades à própria locomoção pedestre, facilitada na descida, mas particularmente dificultosa na subida, consequência de um percurso artificial, ou seja, não pensado em termos de locomoção natural. Não obstante, existia originalmente ao longo da linha férrea, de ambos os lados, um percurso pedestre, com degraus que era usado pelos moradores.

Hoje o percurso pedestre em termos de fruibilidade turística poderá ser eventualmente equacionado no sentido descendente, pois subir o caminho de ferro a pé não só exige um grande esforço bem como se dá as costas à paisagem, nomeadamente a vista larga sobre a baía, um dos grandes atractivos desta original via de comunicação.

Desde logo, o facto de ser uma via construída para o meio de locomoção mecânica determinou quase obrigatoriedade do uso do carro, sendo pouco significativo o número de peões a transitarem ao longo do percurso. O caminho de ferro é servido hoje até à zona do Livramento por um serviço de autocarros que até à abertura da Rua Nova Pedro José de Ornelas e da Rua Ângelo Augusto da Silva, subia a Rua das Dificuldades fazendo o percurso do comboio, substituindo-o como transporte de passageiros. Hoje o autocarro alcança o Caminho de Ferro a Poente pela Rua Dr. Ângelo Augusto da Silva, vindo da Rua do Til, e sobe até ao Livramento passando pelo mesmo percurso abandonando o caminho de ferro na mesma zona onde entrara, voltando agora a nascente pela Rua Nova Pedro José de Ornelas, alcançando a baixa funchalense através da Rua da Pena.

Estação do Pombal
monte_esta2_280_300 A estação do Pombal, no início do caminho de ferro era um recinto fechado quer a sul quer a norte, o que determinou a existência dos Arrependidos, a Poente, que servia para o trânsito pedonal, pois a área da estação servia não só o trânsito de passageiros, mas também para transportar o Indispensável carvão, vindo da Rua do Pombal, para o depósito de carvão demolido em Setembro de 2002, e a Nascente por uma via pedonal logo acima dos terrenos da estação, que liga o caminho de ferro ao caminho do Monte.

A zona da Estação do Pombal está particularmente mutilada, uma vez que da estação original constituída pela cobertura em zinco, pelo depósito de carvão a Poente e mais a baixo pela sala de espera, e a Nascente, pela garagem do material circulante, pelas oficinas das locomotivas e pela sede da companhia, restam só o edifício principal onde funcionavam as bilheteiras e os escritórios da Companhia de Caminho e Ferro do Monte, e as oficinas das locomotivas, acima deste, onde funciona hoje a primeira e a mais antiga das duas oficinas de reparação automóvel. Há ainda o depósito de materiais nas traseiras do edifício sede. Ou seja, da Estação original, existem só as estruturas a Nascente da Linha.

A estrutura da primeira oficina respeita a configuração original, havendo um fosso, estruturas metálicas e de madeira de tempo do comboio. A memória do lugar ainda está bem presente não só pelo facto de haver uma continuidade na actividade mecânica ali exercida, bem como pelo facto de vários estabelecimentos da zona aludirem ao Caminho de Ferro: o Soltrem, a Locomotiva, o Super do Comboio, este acima da Levada. Também na toponímia ficaram registos do comboio como são os casos da Impasse do Comboio, da Travessa do Comboio e da Rua do Comboio.

Estação do Monte
monte_esta_280_300 A zona do Monte tem sido alvo recente de vários projectos de requalificação e valorização do seu potencial ?romântico?, dominada pelo santuário votivo de Nossa Senhora do Monte e caracterizada pela mancha verde e pelas várias quintas aí existentes.

É do Monte, mais propriamente ao lado da porta norte do antigo hotel Belmonte, construído pela Companhia de Caminho de Ferro do Monte, hoje instituição de ensino, que partem os característicos ?carrinhos de cesto? que funcionavam em complemento ao serviço ferroviário. Constituem portanto uma memória indirecta do comboio, uma vez que proporcionavam um transporte alternativo, uma espécie de desporto radical como hoje se diria, até à estação do Pombal, percorrendo uma antiga via, mais antiga que o Caminho de Ferro, paralela a esta: o Caminho do Monte.

Hoje este original meio de transporte vai até ao cruzamento do Livramento, ficando o percurso Funchal-Monte, que perdera já o caminho de ferro, irremediavelmente interrompido. A construção do teleférico, que partindo da zona velha da cidade do Funchal, assegura um meio de transporte cómodo de e para o Monte, não veio esta situação, uma vez que o triângulo Campo Almirante Reis - Monte ? Funchal (via caminho de ferro ou caminho do Monte) não está completo.
 
Estação do Terreiro da Luta
casa_280_300 O último troço da linha, inaugurado em 1912, transportava os viajantes até ao Café Esplanada da Luta, a cerca de 850 metros acima do nível do mar. O percurso acima do Monte tem características distintas dos outros dois, em primeiro lugar por percorrer uma zona não sujeita a pressão urbana e onde, a partir de certa altura, dá a impressão de se abandonar a civilização para penetrar numa zona de floresta onde a densidade arbórea é particularmente intensa. No final deste troço existem ainda duas bocas de água para abastecimento das locomotivas.

Para esta parte do percurso está prevista a reinstalação de linha férrea mediante um meio de transporte eléctrico que levará os visitantes do Monte através da simulação de uma viagem no tempo até à Quinta Terreiro da Luta, que mantém intacta a atmosfera dos anos 20 e apogeu do comboio, e em que funciona uma escola de formação hoteleira e um restaurante de qualidade.

Cronologia

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