20 Outubro 2017
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Tintureira ou tubarão azul Versão para impressão Enviar por E-mail

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A tintureira ou tubarão azul é, provavelmente, o tubarão mais abundante a nível mundial. Considerada o maior migrador entre os tubarões efectua travessias transatlânticas associadas à alimentação. Já em 1849, o reverendo Richard Thomas Lowe referia a presença deste tubarão nas águas da Madeira. Na Madeira, tal como nos Açores constitui uma captura acessória da pescaria com palangre de superfície ao espadarte (Xiphias gladius). 

Identificação



Corpo alongado com focinho comprido e cónico. Os seus olhos são grandes e redondos. A primeira barbatana dorsal é baixa e de vértice arredondado. As peitorais têm a forma de uma foice e são estreitas e compridas. A coloração dorsal é azul-viva com os flancos de azul mais claro e o ventre esbranquiçado.

 

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Biologia e distribuição



Espécie que atinge 4 m de comprimento e 205 kg de peso.
Tem hábitos preferencialmente oceânicos, mas também pode ocorrer em águas costeiras. Atinge maior abundância em águas temperadas entre os 13 e os 18ºC.
Efectua grandes migrações transatlânticas e estudos de marcação efectuados em Portugal mostraram que estes tubarões percorrem desde o nosso país, mais de 2000 km tanto para Norte em direcção ao Golfo da Biscaia como para sul ao longo da costa africana.

 

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Atinge normalmente profundidades de cerca de 350 metros, embora já alguns investigadores tenham descrito mergulhos até aos 650 metros de profundidade
A sua reprodução é vivípara e ambos os sexos atingem a maturação sexual aproximadamente aos 2,2m, quando têm 5-6 anos de idade. As fêmeas passam por uma fase sub-adulta entre os 1,7-2,2m. Embora ainda não tenham atingida a maturidade sexual, durante esta fase as fêmeas já podem acasalar armazenando esperma até ao momento da sua maturação.
O nascimento das crias (4 a 135) ocorre após um período de gestação que dura de 9 a 12 meses. Os indivíduos recém-nascidos medem cerca de 45 cm.

Alimentação: a dieta da tintureira é predominantemente constituída por peixes ósseos e lulas oceânicas. A tintureira como outros tubarões uma membrana no olho chamada membrana nictitante que fecha e protege os olhos do tubarão quando ele está se alimentando.


Tintureira alimentando-se de cavala (Scomber colias) e lula (Loligo sp.)

Distribuição


Apresenta uma distribuição circumglobal nos mares temperados e tropicais. No Atlântico Oriental distribui-se desde a Noruega até á África do Sul, ocorrendo em todos os arquipélagos macaronésios (Açores, Madeira, Canárias e Cabo Verde) e sendo comum em toda a extensão do Mar Mediterrâneo. No Atlântico Ocidental ocorre desde a Terra Nova até às águas da Argentina. Também está amplamente registada para os oceanos Índico e Pacífico.


Curiosidades e usos


Na Madeira, tal como nos Açores constitui uma captura acessória da pescaria com palangre de superfície ao espadarte (Xiphias gladius).  Esta pescaria de pequena expressão teve em 2010 uma descarga de 2,5 toneladas.
Por vezes avistam-se tintureiras na Madeira como se pode ser no seguinte vídeo
É uma espécie com potencial para eco-turismo. Para poder mergulhar com estes tubarões terá de deslocar-se à Califórnia (Estados Unidos) ou à África do Sul onde existem jaulas para realizar o seu mergulho em segurança.

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Gastronomia

receita tintureiraA tintureira constitui um petisco muito apreciado sendo consumida fresca ou salgada mas o mais procurado são as suas barbatanas para sopa .
Segue uma receita se alguma vez quiser experimentar.

Ingredientes para 4 pessoas
500 g de postas de tintureira, sal, pimenta preta de moinho, 1 limão, 1 beringela,  1 cebola, 50 g de Vaqueiro , alho, 2 nabos médios, 1 courgette, 40 g de tomate seco ao Sol, 4 a 5 colheres de sopa de maionese,  tomilho
Preparação
Deixe descongelar um pouco as postas de tintureira, retire-lhes as espinhas e tempere com sal, pimenta e sumo de limão. Lave a beringela, elimine as pontas e pique-a em dados. Salpique com sal e deixe a escorrer dentro de um passador. Ligue o forno e regule-o para os 180 °C. Descasque a cebola e pique-a finamente. Deite a Vaqueiro Alho num tacho e leve a derreter sobre lume moderado. Junte a cebola picada e deixa alourar. Entretanto, descasque os nabos de modo a eliminar a zona mais escura que se encontra junto à pele. Pique os dados em cubos e adicione-os ao refogado. Mexa e deixe suar tapado sobre lume brando. Lave a courgette corte-a também em cubos. Passe a beringela por água e escorra bem. Pique o tomate seco ao Sol em pedaços pequenos. Junte a beringela, a courgette e o tomate aos outros legumes, tempere com sal e pimenta, tape e deixe cozinhar cerca de 5 minutos. Entretanto ligue o forno e regule-o para os 180 °C. Coloque o peixe num tabuleiro de louça. Envolva os legumes com maionese e espalhe-os sobre o peixe. Salpique com folhas de tomilho. Leve ao forno durante cerca de 8 minutos

Bibliografia


Compagno, L.J.V. FAO species catalogue, 4 - Sharks of the world. An annotated and illustrated catalogue of sharks species known to date. Part 2 Carcharhiniformes. FAO Fish. Syn., Roma, v.4, n.2, p.251-655, 1984.


Compagno, L.J.V. (1999) Checklist of living elasmobranchs, pp. 471–498. In: Hamlett, W. C. [ed.]. Sharks, skates, and rays: the biology of elasmobranch fishes. The Johns Hopkins Univeristy Press, Baltimore & London., i–x, 1–515.


Compagno, L.J.V, M. Dando S. Fowler. 2005. A field guide to the sharks of the world. Harper Collins Publ. Ltd. London. 368 pp.


Lowe, R.T. (1849) Supplement to "A synopsis of the fishes of Madeira." Transactions of the Zoological Society of London, 3, 1–20.


Stevens, J. 2005. Prionace glauca. In: IUCN 2010. IUCN Red List of Threatened Species. Version 2010.4. <www.iucnredlist.org>.


 
Taxonomia
Império: Eukariota
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Subfilo: Vertebrata
Classe: Chondrichthyes
Ordem: Carcharhiniformes
Família: Carcharhinidae
Género: Prionace
Espécie: P. glauca (Linnaeus, 1758)
Autor desta ficha
Teresa Mafalda G. Jardim Freitas Araujo Teresa Mafalda G. Jardim Freitas Araujo
Directora da Estação de Biologia Marinha do Funchal
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